sábado, 18 de setembro de 2010

Recenseadores são recebidos a tiros em Mato Grosso



Maus-tratos, assédio moral, discriminação e até pedradas e tiros, que chegam a terminar em boletins de ocorrência registrados nas delegacias de Mato Grosso, viraram rotina no dia a dia dos recenseadores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE).

A situação mais grave aconteceu na zona rural de Carijó, região do município de Nossa Senhora do Livramento (a 42 quilômetros de Cuiabá). Na quarta-feira, dois recenseadores do IBGE foram recebidos a tiros por um casal. "Primeiro a mulher me apontou uma faca. Daí ela atirou", contou Manuele Rosa da Silva, de 20 anos.

A recenseadora conta que, quando chegou ao sítio para fazer a pesquisa, bateu palmas. Ninguém atendeu ao chamado. Ela e o piloto da moto que a levou decidiram entrar na propriedade para chegar até a casa, que ficava distante da porteira.

"Fomos batendo palmas, chamando por alguém. Foi quando de repente uma senhora e seu marido abriram a porta e mandaram a gente sair dali", conta.

Ela diz que tentou explicar que trabalhava para o IBGE e estava fazendo o censo da população. Nesse momento, os proprietários avançaram com uma faca e uma arma. "Quando corria, só ouvia os tiros."

O coordenador da sub-área da funcionária ameaçada, Walter Pires, disse que essa situação foi extrema. Ele afirma que, desde 1978, quando começou a trabalhar no IBGE, nunca havia ocorrido uma situação desse tipo. "O casal não pode ter achado que eram ladrões na casa. Nossos pesquisadores andam uniformizados, com jaleco e boné do IBGE. Não tem como não reconhecer", disse.

Intimidação. Apesar de achar a situação extrema, ele conta que na região há outros casos de agressão e maus-tratos a recenseadores. No município de Nobres (a 143 quilômetros de Cuiabá), um pesquisador foi ameaçado por um morador e precisou sair correndo pelas ruas. "Não teve bala, mas o recenseado intimidou o pesquisador", disse.

Nas delegacias de Cuiabá, policias afirmam que nas últimas semanas têm recebido muitas reclamações e denúncias de recenseadores. A investigadora policial Leoneide Bernardino Alves conta que, em um dos casos, uma recenseadora pediu socorro na delegacia central para conseguir passar numa rua para continuar seu trabalho. Segundo ela, todas as vezes em que passava na frente da casa de uma senhora que não quis ser recenseada, essa senhora xingava e jogava pedras. Ela preferiu não se identificar porque mora no mesmo bairro da mulher violenta.

Outro morador ficou irritado com um pesquisador que tentava saber o seu rendimento e sua idade. Leandro Alves disse que tentou argumentar com o pesquisado, mas desistiu. O homem é um fazendeiro.

O IBGE estima que 3 milhões de pessoas deverão ser ouvidas pelo IBGE no Estado. No censo de 2007 foram recenseados 2.854.642 habitantes. Mato Grosso conta com 2,7 mil recenseadores distribuídos em 32 sub-áreas.

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